SAP Labs: o sonho do Tiago

7 04 2014

Fonte: www.baguete.com.br

 

Habilidades subjetivas, que vão além dos cursos, especializações e de um currículo rechonchudo, às vezes são ignoradas por profissionais iniciantes. Afinal, o que é preciso para entrar em uma multinacional? Um dos caminhos talvez seja muito esforço e um bom networking.

Tiago Nunes, estagiário no time de Globalization Banking no SAP Labs Latin America, é o exemplo dos clichês nos quais nem sempre acreditam os pessimistas. Depois de ser garçom, cuidador de carros e faxineiro, ele conseguiu uma colocação na empresa alemã.

 

 

Muitos profissionais da SAP conhecem Nunes ainda da época em que ele trabalhava no estacionamento, como funcionário da SafePark.

 

Com esforço, Tiago Nunes chegou onde queria. Foto: divulgação

 

 

Desde então, ele interagia com as centenas de pessoas que circulam em meio aos carros na Unitec. Virou figura conhecida por todos por seguir uma dica essencial a quem quer se destacar no ambiente de trabalho: fazer além do que lhe é solicitado.

 

“Um dia estava chovendo muito e percebi que com um guarda-chuva poderia ajudar mais as pessoas. Eu não precisava ficar parado, apesar de meu trabalho ser só cuidar dos carros. Vi que aquele era um simples gesto que trazia algo bom, e assim eu cultivava amizades”, lembra.

 

Morador da Feitoria Nova, bairro da periferia de São Leopoldo, no dia a dia ele observava os funcionários da SAP falando em inglês, espanhol e alemão.

Em suas rápidas conversas com quem chegava para trabalhar, conseguiu descobrir o que a SAP produz e porque o inglês era predominante.

“Naquele mesmo dia, fui para casa e peguei um dicionário. Comecei a praticar, falar um ‘good morning’, formar frases e sempre questionava se estava falando certo. A reação era engraçada, porque não é um padrão. E as repostas que tive sempre foram em forma de incentivo”, conta.

Depois de quatro meses, sempre explorando o seu mini-tradutor, Nunes descobriu um trabalho de limpeza do prédio da SAP.

“Eu me interessava muito em trabalhar lá dentro e ter convivência com aquelas pessoas que tinham se tornado minhas amigas”, diz.

A vaga na Top Service, terceirizada de conservação, deu a ele a oportunidade de limpar o chão do prédio. Nunes diz que a convivência aumentou seu círculo de amizades e o conhecimento de novas culturas.

“Sempre tive otimismo. Não é por ser faxineiro que não se pode ser assim. Nunca me importei de limpar o chão, nunca vi como uma função inferior ou menos importante”, destaca.

Consciente da necessidade de fazer uma graduação para ir além, mas sem condições financeiras, Nunes tentava se aperfeiçoar no que podia. Àquela altura, já tinha expandido as formas de aprender inglês, assistindo filmes, escutando músicas, procurando livros.

Em 2010, fez um acordo com a esposa, que é zeladora em uma escola pública: ele pagaria uma faculdade e ela assumiria as contas da casa.

Assim, passou no vestibular da Unisinos. Hoje, cursa Sistemas da Informação. “Foi outra surpresa pra mim, porque vim de escola pública, de família pobre”, afirma.

Depois de conciliar o trabalho na limpeza com a faculdade, Nunes viu a necessidade de dar mais um passo. Um dia ele arriscou falar em inglês com Michael Depner, vice-presidente de Globalization Services, e ganhou a chance de entregar seu currículo. E conseguiu um estágio.

No time de desenvolvimento, ele atua na área de qualidade de testes automatizados, criando  projetos de sistemas relacionados a banking.

Hoje, aos 26 anos, ele olha para sua trajetória com orgulho: “Não me envergonho de nada que fiz. O resultado de tudo que busquei é esse. Trabalhar aqui é como se eu ganhasse o 1º lugar em uma maratona depois de correr com a perna machucada”.

Com o estágio na SAP, Tiago diz que vive uma situação financeira melhor. O próximo objetivo é tornar-se funcionário efetivo. Para isso, o estagiário sabe que precisa de um esforço extra. “Se não sei alguma linguagem de programação, corro atrás para aprender, busco cursos online gratuitos”, conta.

Futuramente, Tiago Nunes quer contar sua história em palestras – e já participou de eventos em escolas que a multinacional faz programas sociais. O tom otimista ele já demonstra ter: “Quando não se tem oportunidades, é preciso ver os problemas por outro ângulo. Não quero aparecer, quero mostrar que as coisas são possíveis”.

 

O CHEFE APROVA
Fábio Serrano, gerente de desenvolvimento do time, era um dos amigos do guardador de carros.

“Pela simpatia, eu sempre brincava com os colegas que ele iria bem em uma avaliação de performace, porque fazia todos se sentirem melhor”, diz.

Até que o dia que Serrano de fato precisou avaliar Tiago Nunes como profissional quando recebeu o currículo das mãos de Depner.

“Exigimos o mínimo de conhecimento, com algum curso na área da informática, inglês e interesse”, revela Serrano.

Fundamental para a contratação foi o desempenho na entrevista. “Já que ele não tinha experiência, o que pesou foi a atitude. Fazemos uma simulação situacional e ele se saiu muito bem nas respostas”, lembra.

Junto com outros estagiários de desenvolvimento, o jovem tem as mesmas responsabilidades dos colegas.

“Vejo que o Tiago precisa se esforçar em dobro. Mas ele estuda por conta, faz conexões e está atingindo boas perspectivas para avançar de nível. Tem chance no meu departamento e em qualquer outro”, afirma Serrano.

Com a expansão iniciada no meio deste ano, a SAP Labs Latin America, hoje com 514 empregados, terá lugar para mais 552 colaboradores.


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