ERP: da escassez de informação ao excesso de dados

9 05 2014

Fonte: www.semanainformatica.xl.pt

 

Os sistemas integrados de gestão estão a mudar de ano para ano, impulsionados em grande medida pelas grandes alterações tecnológicas. Também o ambiente empresarial cada vez mais competitivo tem provocado nos subscritores novas exigências que precisam de ser correspondidas.

 

 

 

Desde há muitos anos que os sistemas integrados de gestão (ERP) têm marcado presença nas empresas portuguesas. São ferramentas importantes na evolução diária de um negócio, permitindo manter coesos vários departamentos, vários colaboradores e disponibilizando em tempo real tudo o que todos precisam de saber.

Mas a época que se vive actualmente é especial. São tempos que marcam todo um conjunto de transições que os ERP estão a viver. As soluções de gestão têm agora de se adaptar ao crescimento da mobilidade, têm de saber dar resposta ao apetite que existe por soluções em modelos de software as a service (SaaS) e têm de saber dar significado à gestão pela qual são responsáveis.

Como Fernando Amaral, partner da Alidata, salienta, «antigamente havia escassez de informação e agora há excesso de dados que têm de ser convertidos em informação inteligível».

Por responsabilidade destes três pilares, os sistemas integrados de gestão estão mais completos e têm mais obrigações, mas ao mesmo tempo também criam maiores necessidades junto dos clientes. Por esse motivo, e tal como o Semana conclui das respostas dos fornecedores de serviços e consultores, vivem-se tempos de bonança na área dos ERP.

Rui de Sousa, business development da Gestix, revela que o negócio foi impulsionado sobretudo pela venda de soluções a novos clientes, uma situação que também se verificou noutras empresas, como a Alvo. Já a SoftINSA, empresa do grupo IBM, assim como a Quidgest, registou um maior número de contratos renovados e a subscrição de novas funcionalidades por parte dos clientes já conquistados.

Apesar do bom momento, a PHC como prestadora de serviços notou uma grande diferença relativamente ao ano passado: «Está a ser um ano diferente devido à não existência da circunstância que existiu em 2013, da obrigatoriedade generalizada de utilização de software certificado», analisa Céu Mendonça, sales director da tecnológica.

A procura de soluções ERP tem sido liderada por clientes que têm origem nos mais variados segmentos de negócio, como o retalho, a hotelaria, a saúde, as seguradoras, a banca e todas as empresas com um perfil exportador, como é o caso das que operam no sector da distribuição.

«Existe claramente uma tendência que está ligada ao momento que Portugal atravessa e que está relacionado com a capacidade de investimento das nossas empresas. As empresas que não dependem do mercado interno são as que mais estão a investir», salienta Rui Nogueira, business unit manager mid-market da Sage Portugal.

Dentro deste grupo há no entanto uma tendência que se destaca. As pequenas e médias empresas (PME) estão a revelar um grande apetite por soluções ERP.

Céu Mendonça da PHC adianta ainda que se assiste a «uma cada vez maior aproximação das PME ao investimento que é feito nas grandes empresas, pois as soluções de gestão estão cada vez mais acessíveis – não em termos de numerário, mas sim na aposta das soluções de gestão». Mas o que procuram as empresas portuguesas num sistema integrado de gestão?

 
 
Todos diferentes, todos iguais

Diferenciação é a palavra de ordem. As vantagens associadas aos ERP são iguais para todas as empresas, pelo que cada negócio deverá saber tirar proveito das suas especificidades. «Se não houver diferenciação como poderíamos destacar-nos dos restantes players do mercado?», questiona em jeito de desafio José Laborinho Almeida, director comercial da Alvo.

A mesma questão surge a todos os directores de empresas que procuram subscrever uma ferramenta de gestão e a resposta passa obrigatoriamente pelo aproveitamento das vantagens gerais e pelo potenciamento daquilo que nenhum outro concorrente parece ter.

A visão de Sandra Mourão, associate process manager de customer engagement da Mind Source, resume bem o tema. «Conhecer o negócio e a forma de adaptar os sistemas ERP a desafios específicos faz parte das nossas competências como consultores.

Alguns desafios de negócio são comuns e transversais a diferentes organizações, pelo que é possível replicar soluções de sucesso, mas outros são específicos a cada mercado ou negócio e têm de ser pensados em todas as suas especificidades», explica.

«A tendência será para as empresas adquirem uma solução standard, mas depois fazerem alguma personalização em cima da mesma, para que responda a todas as suas necessidades de uma forma mais customizada», explica Céu Mendonça da PHC.

Henrique Mourisca, director de serviços e soluções da SoftINSA, reforça esta posição considerando que as empresas que subscrevem ferramentas ERP «devem adoptar processos standard para tudo o que não é core business, áreas onde devem procurar a eficiência».

A Gestix também tem apostado muito na diferenciação caso a caso, mas, como admitiu Rui de Sousa, o maior desafio para a empresa tem sido mais ao nível da comunicação, isto é, mostrar as capacidades de configuração caso a caso contra soluções de tecnológicas mais conhecidas da SAP e do Dynamics,da Microsoft.

Saber aproveitar cada vantagem que as soluções ERP possibilitam é algo inato, é algo que está no ADN das empresas. Mas a transformação a que se tem assistido, e que está a alterar de forma significativa a consciência relativamente aos sistemas integrados de gestão, tem que ver com as exigências das empresas. A que mais se destaca é a necessidade de os ERP funcionarem não só como ferramentas de gestão, mas também como ferramentas que geram decisões, decisões de importância vital para as empresas.

Como centro nevrálgico das organizações, os ERP compilam uma enorme quantidade de dados que ou lhe dão significado ou então de nada serve. Entram aqui em cena as ferramentas de big analytics, que conseguem detectar padrões e até antecipar cenários que ajudam como nenhuma outra ferramenta as empresas a orientar as suas estratégias.

As ferramentas de gestão não são uma obrigação legal, são agora uma fonte de informação para decisões estratégicas. «Agora já não são só as organizações maiores que procuram suporte decisional no ERP», comenta o business development da Gestix.

A Mind Source, através de Sandra Mourão, também apoia este conceito: «A curto prazo será importante que os decisores estejam preparados para investir mais em sistemas integrados que permitam efectuar a gestão da informação considerada crítica e elevar a visão e os objectivos de negócio, mantendo sempre o foco na satisfação dos clientes e na fidelização dos seus talentos (equipa).».

Como seria de esperar existem desafios, como o facto de haver «um grande volume de informação» e de «os dados estarem dispersos», alerta Céu Mendonça da PHC.

João Amaral Teles, business consultant manager da Quidgest, identifica outras barreiras que é necessário ultrapassar. «As ferramentas de big analytics são uma forma de monitorizar e identificar problemas, para que seja mais fácil implementar acções correctivas e, consequentemente, melhorar o desempenho. A curto prazo, o principal desafio dos sistemas integrados de gestão será, precisamente, a capacidade de antever cenários, para que as organizações possam agir atempadamente.»

Abre-se assim todo um novo conjunto de oportunidades. «É neste papel que as ferramentas de big analytics podem ajudar os actuais decisores, e acreditamos que esta tecnologia vai permitir o aumento de vendas no sector do ERP. O grande desafio é garantir a mobilidade, pois os decisores exigem a disponibilidade da informação a partir de qualquer lugar e a partir de qualquer dispositivo, pelo que os ERP terão de dar resposta a esta necessidade», comenta José Laborinho da Alvo.

 
 
Colaboradores hiperactivos

A mobilidade também não é uma moda, é uma necessidade. Das empresas ouvidas todas têm ou todas estão a trabalhar em novas ferramentas de gestão que funcionam em ambientes móveis. Apesar de reconhecida a obrigatoriedade de atacar este segmento do mercado dos ERP, reconhece-se também que o cenário de gestor “sempre online” ainda não é uma realidade na maioria das empresas. Por agora.

Fernando Amaral, da Alidata, apresenta um conjunto de vantagens para os que se rendem a esta tendência, dizendo que «ter informação em tempo real é hoje em dia um factor crítico de sucesso nos negócios, já que permite decidir, aprovar, autorizar, negociar e gerir projectos». O partner da empresa acrescentou ainda que «com isto os profissionais revolucionam processos, agilizam a tomada de decisão e ampliam oportunidades de negócio».

A Primavera BSS, através de Idalina Sousa, communication head manager, faz questão de dar o exemplo da Elevation Mobile, «uma app disponível para dispositivos móveis com sistema operativo iOS, Android e Windows Phone, que permite aos clientes consultar as suas vendas, aprovar operações de tesouraria ou ainda, a muito curto prazo, consultar os seus recibos de vencimento».

Sobretudo para as empresas que têm colaboradores no terreno, o mobile vai tornar-se indispensável. «Através de dispositivos móveis, a integração é total com o planeamento previamente efectuado, com possibilidade de acesso à rota de serviços a executar durante o dia e de registo das intervenções feitas, com informação do cliente e da sua intervenção, com possibilidade de adicionar linhas de serviço, lançar tempos despendidos em cada serviço de cada obra, lançar custos, registar deslocações, associar materiais gastos, entre muitas outras», salienta Fernando Amaral, da Alidata.

Seja já em formato mobile, em modelo cloud ou no tradicional on-premise, parece claro que, quando bem implementado, um sistema de gestão faz toda a diferença nas empresas. Ao Semana a Sage Portugal apresentou dois casos em que o ERP X3 da empresa beneficiou os seus clientes.

Na Sport TV, «a informação económica, financeira e de actividade passou a estar disponível de uma forma integrada, melhorando e automatizando os processos, o que teve um reflexo muito positivo na produção da informação necessária à tomada de decisão», como revela Filipe Moura, da direcção financeira do canal de informação desportiva.

Tiago Pinho, director técnico do Grupo ERT, composto por 11 empresas, destacou o software Sage como «uma solução aberta que permite trabalhar com muitos indicadores de desempenho (KPI), como a rastreabilidade, permitindo controlar todos os materiais e todo o processo». Outro aspecto realçado é o facto de a ERT ter uma unidade na Polónia. «Usando o mesmo ERP, é possível integrar a informação entre as duas empresas», rematou o director técnico do Grupo.


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