Parrot DISCO FPV–Um drone diferente

27 11 2018

Embora a DJI domine por completo o mercado de drones, a Parrot, de origem Francesa, ocupa também um lugar de destaque com uma gama de produtos muito alargada para vários segmentos de mercado. Um dos equipamentos desenvolvidos pela Parrot é o DISCO FPV, um drone mono motor de asa fixa que é diferente dos drones “normais” que estamos habituados a ver, com 3, 4 ou mais motores, discretos, pequenos e facilmente transportáveis.

 

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Por ter sido entretanto descontinuado, este produto, que inicialmente chegou (quando foi lançado) a custar cerca de 1300 Euros (exemplo da Chip7 e PC COMPONENTES), pode agora ser encontrado por valores significativamente mais baixos. No meu caso, comprei por 99 Euros (produto novo e selado) numa promoção Black Friday da loja iStore. A loja vendeu rapidamente todo o stock deste artigo da loja online, no entanto ainda consegui uma unidade na loja do Parque Nascente. Um valor impressionante, mais ainda quando este drone, que é relativamente recente (foi anunciado em 2016), não tem concorrente no segmento em que se insere, nem existe ainda nenhuma versão superior.

 

Parrot DISCO FPV – Official Video

 

Neste artigo vou escrever um pouco sobre o produto e as suas características. Apesar de existir muita informação na Internet, em português pouco ou nada existe. Efetivamente este drone é pouco conhecido e pouco popular já que é um produto de nicho. Vou descrever o drone e tudo o que é necessário para o colocar pronto a voar, sem contudo descrever a experiencia de voo, que eventualmente ficará para outro artigo. Vou também indicar algumas informações importantes que recolhi nos mais diversos meios, como no manual do produto, site do fabricante, vídeos do YouTube, grupos do Facebook, entre outras origens.

   

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Na caixa, onde tudo está muito bem embalado e acondicionado, está presente tudo o que é necessário para o drone voar. Está incluído o comando (Skycontroller 2), suporte para smartphone e tablet, os Cockpitglasses para uma experiencia de pilotagem imersiva, bateria e cabos, carregador e adaptador para o poder utilizar em várias regiões do mundo, cabo USB, proteção para a lente, um segundo jogo de hélices e um manual em várias línguas.

 

O drone pesa 750 gramas, o que faz com que, como está abaixo de 900 gramas, não seja futuramente necessário subscrever qualquer seguro (segundo a legislação atual em Portugal). Ainda assim, como não é considerado um drone brinquedo, porque o peso é superior a 250 gramas, será necessário efetuar o registo do drone. Embora já esteja aprovada, esta legislação ainda não foi colocada em prática em Portugal. Para já os únicos formalismos necessários para poder voar são os pedidos de autorização a uma ou mais entidades (ICNF, ANAC, AAN), que podem ser necessários em determinadas circunstâncias, dependendo da zona onde pretende voar, da hora do voo, do peso da aeronave, entre outros fatores. Consulte o site Voa na boa para mais informações.

 

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Com características únicas, o Parrot DISCO atinge uma velocidade máxima de 80 km/h e tem uma autonomia máxima para 45 minutos no ar, graças à bateria de 2700mAh (Lithium Polymer – LiPo). O raio de ação máximo é de 2 KM (em condições ótimas). A câmara é FULL HD (grava a 30 FPS a 1080p no entanto o streaming é efetuado a 360p/720p), com 14  megapixéis e uma lente grande angular (fisheye), com estabilização em 3 eixos por software (é a mesma câmara que equipa outros modelos da Parrot como o Bebop 2). Esta estabilização substitui em certa medida um gimbal mecânico. Devido ao tipo de lente, que tem um campo de visão (FOV – Field Of View) de 180º, a câmara capta imagens “em várias direções”. O operador, através do comando, pode alterar o campo de visão que pretende, para cima ou para baixo, num ângulo de 90º, mas apenas para registar fotografias e para o live streaming. Isto faz com que o drone, que se desloca na horizontal (ao contrário de um drone convencional multi-motor que se pode deslocar na horizontal e na vertical), possa estar a captar imagem em baixo dele, à frente, ou em cima. Para gravar vídeo o sistema de estabilização necessita de todo o campo de visão, não sendo portanto possível o utilizador alterar o campo de visão.

 

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A quantidade de tecnologia que este drone incorpora é realmente impressionante. Tudo está concentrado no Parrot C.H.U.C.K., que é o cérebro do deste drone e um autentico computador que conta com um processador dual-core ARM 9. O C.H.U.C.K. utiliza Linux como sistema operativo e executa ArduPilot como firmware, um sistema open-source de autopilot para controlar sistemas não tripulados como helicópteros, aviões, submarinos, barcos, etc.. A localização por satélite é efetuada através do sistema GPS e Glonass (sistema Russo). As comunicações entre o drone e o comando são asseguradas por tecnologia WiFi (2,4 e 5 Ghz). Pelo que li num dos grupos do Facebook, existem várias versões do hardware do comando, com características diferentes. No meu caso tenho a 2, já que a minha versão é 1.0.2 (esta informação é visível na base do comando). Mais informações no grupo do Facebook Parrot Disco Owners Group, num post de ‎Per Nils Snygg‎ de 3 Setembro de 2018.

 

Os sistemas de voo são compostos por um sensor de velocidade de ar, que é um Tubo de Pitot que está localizado no botão frontal (que também serve para ligar/desligar o equipamento e para mostrar indicadores luminosos) do drone, um altimétrico de ultra-som, câmara vertical (fluxo óptico), giroscópio, magnetómetro e acelerómetro de 3 eixos. O autopilot conta com um sistema anti-stall que impede que o drone perca a sustentação no ar e caia descontrolado. A memória interna para gravar fotos e vídeos é de 32 GB.

 

Como qualquer drone digno desse nome, existe um botão no comando  para o Return To Home (RTH), que faz com que a qualquer momento o drone volte ao ponto de partida, ficando a voar em círculos até que o utilizador execute alguma ação. Existe um outro botão para o drone aterrar automaticamente. A possibilidade de definir um plano de voo previamente, através da funcionalidade Flight Plan da App FreeFlight Pro, não ficou esquecida. Através deste modo de voo o drone percorre uma determinada rota, a uma determinada velocidade, altitude e direção, de forma autónoma e sem qualquer intervenção por parte do utilizador. Infelizmente, embora a App seja gratuita, esta funcionalidade é paga. Custa 21,99 Euros. Apesar de poder voar sem ela, a utilização da App é fundamental. É aqui que visualiza uma série de informações em voo, altera configurações, efetua atualizações ao firmware do drone e comando, etc.

 

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Parrot C.H.U.C.K.

 

O compartimento onde o C.H.U.C.K. se encontra, assim como a bateria, é acessível após retirar uma tampa, que se fixa ao drone através de um sistema de ímanes bastante bem conseguido. Como fica a sobrar ainda muto espaço, é possível, com alguma precaução devido ao peso e estabilidade da aeronave, adicionar outros equipamentos. Por exemplo, pode ser uma excelente ideia colocar um localizador GPS para conseguir localizar o drone na eventualidade de algo correr muito mal e ele se despenhar num local remoto. Embora existam outras soluções, algo como o V-Bag da Vodafone deve ser suficiente para o efeito. Em diversos vídeos no YouTube é também possível ver que muitos utilizadores do DISCO colocam outro tipo de equipamentos no drone como baterias com capacidade superior para poder voar por mais tempo, receptores de rádio no caso de pretender utilizar um comando RC tradicional, utilizado no aeromodelismo (apenas para pilotos muito experientes já que neste caso a pilotagem é totalmente manual sem o autopilot e sistemas de apoio), e até mesmo pens 3G/4G para poder controlar o drone através do sinal dos operadores de telecomunicações (projeto uavpal/disco4g), deixando assim de estar dependente do limite de 2 KM da comunicação via WiFi. Muitos utilizadores, que pretendem captar imagem em outras perspectivas, fixam câmaras de vídeo na parte exterior da fuselagem. Efetivamente o Parrot DISCO tem uma grande capacidade de carga.

 

Com um wingspan (envergadura – distância entre as pontas das asas) de 1150 mm, o drone tem uma dimensão considerável quando montado. As asas são removeis para facilitar o transporte, que ainda assim é bastante dificultado dada a grande fragilidade das asas (a Parrot vende uma mala de transporte). Retirar e colocar as asas é muito rápido e não é necessária qualquer ferramenta. O take-off é efetuado com o drone na mão. O piloto carrega no botão de descolagem e lança o drone para o ar que se eleva de forma automática. Para a aterragem é necessária uma pista, de preferência uma área com relvado, com pelo menos 50 metros de diâmetro. A aterragem é sem sombra de dúvida o momento mais critico de voo do Parrot DISCO, uma vez que este não tem trem de pouso. Qualquer aterragem mais violenta pode danificar o drone.

 

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Comparação da dimensão do PARROT DISCO com a dimensão de um marcador

 

Sendo um drone FPV (First Person View-em português: visão em primeira pessoa), o piloto poderá visualizar em tempo real a imagem que o drone está a captar, tal como se estivesse a voar dentro dele. Existem 2 formas de receber a transmissão da imagem. Uma é ligando e acoplando um tablet ou smartphone ao comando. O suporte incluído para o efeito é muito robusto. Testei com um iPhone SE e com um iPad Mini e ambos encaixaram muito bem. Equipamentos com dimensões maiores, principalmente se for um tablet, podem não encaixar. A outra é através dos Cockpitglasses. Neste caso é necessário colocar um smartphone (que seja compatível) dentro dos óculos. Em ambos os casos é necessário utilizar a App FreeFlight Pro, disponível para iOS e Android. A App disponibiliza, para além do vídeo, uma série de informações úteis como a percentagem de bateria restante do drone e do comando, mas também mostra a telemetria de voo, como velocidade, distancia e altitude do drone, etc..

 

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App FreeFlight Pro – Cockpit

 

A preparação do drone para cada voo é relativamente rápida. Na primeira vez, após retirar tudo da caixa, será logicamente necessário mais tempo para o utilizador perceber como tudo funciona. É importante efetuar atualizações ao firmware do drone e do comando logo no primeiro momento. Isto também deve ser feito periodicamente, se existirem atualizações como é lógico. O meu drone estava na versão 1.0.3. e foi atualizado para a versão 1.7.1. O utilizador também deve garantir que utiliza a versão mais recente da App da Parrot. Também importante e obrigatório é efetuar a calibração quer do drone quer do comando. O manual e a aplicação explicam como proceder.

 

O carregamento da bateria do drone demora cerca de 55 minutos. O carregador tem um indicador luminoso que muda de vermelho para verde assim que a bateria estiver totalmente carregada. Carregar o comando é semelhante. O carregador é o mesmo, sendo apenas necessário mudar o cabo. Também existe um indicador luminoso no comando que passa a verde quando a bateria estiver a 100%. Quando a carga da bateria do drone está num nível baixo o operador é alertado através da aplicação. No drone, quando este está prestes a desligar-se por falta de bateria, é emitido um alerta sonoro pelo próprio drone.

 

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App FreeFlight Pro – Configurações

 

O DISCO pode fazer parte do pack Parrot Disco Adventurer, em que, para além de tudo o que traz o pack normal (como o que eu comprei), traz ainda uma mochila de transporte,  1 voucher para utilizar na compra da funcionalidade Flight Plan da App e 2 baterias. Também o Parrot Disco-Pro AG (que tem o custo de vários milhares de Euros), que é especifico para o sector da agricultura, inclui o Parrot DISCO, que incorpora um sensor multiespectral Parrot Sequoia, tecnologia para agricultura de precisão.

 

Pilotar um drone “brinquedo” de 20 Euros, dentro de casa, é bem diferente da responsabilidade de pilotar um drone de várias centenas de Euros, mais pesado e bastante maior. Tal como na industria da aviação, devem ser obedecidos determinados protocolos e legislação, de modo a dar prioridade máxima à segurança de todos. Apesar de toda a tecnologia que os drones incorporam, continua a ser necessária uma boa dose de treino, preparação e essencialmente bom senso. É obrigatório consultar a legislação e as regras aplicáveis no país onde pretende voar. Para mais informação clique na imagem seguinte.

 

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Para já, que ainda não levantei voo, apenas identifiquei duas situações negativas. Uma é que não consigo fazer login no My.Parrot, dentro da App FreeFlight Pro (escolhi fazer o Login via Facebook). Embora não seja mostrado nenhum erro a página fica sem qualquer informação (consultar resolução para este problema nas Dicas). Neste portal, entre outras coisas, é possível guardar na cloud os dados de cada voo. Depois, acho que o comando devia ter umas bases de borracha para o apoiar em qualquer superfície sem “gastar” e riscar o plástico. É um pequeno pormenor.

 

Antes de realizar o primeiro voo aconselho fortemente a leitura de todo o manual, assim como das páginas do site da Parrot relacionadas com o DISCO, que tem muita informação adicional. O manual não aborda as boas práticas relacionadas com a bateria para prolongar a sua longevidade e rendimento. Essa informação, e muita outra, pode ser encontrada no site. Também muito importante é criar uma check-list de voo, com tudo o que é necessário validar antes, durante e depois de cada voo. Desta forma a margem de erro será certamente minimizada.

 

 

Dicas:

  • Se pretender voar até ao alcance máximo permitido pelo drone, altere a região, na aplicação FreeFlight Pro, para os Estados Unidos, onde são utilizadas as regras FCC. Isto porque em certos países, como o caso de Portugal (que se situa na Europa), são utilizadas as normas CE, que restringem as comunicações (frequências utilizadas) de rádio (neste caso WiFi) a um certo limite, com impacto direto na distancia entre o drone e o comando.
  • Como indiquei em cima, tive um problema com o login no My.Parrot, dentro da App FreeFlight Pro (instalada num iPad), após definir que queria fazer login via Facebook. Apesar de ter tentado em várias alturas diferentes, quando tentava entrar, nada acontecia. Como resolvi? Após carregar no botão My.Parrot, no canto superior direito, em vez de escolher “CONNECT USING FACEBOOK” (não sei se acontece o mesmo para o login via Google), carreguei na opção “Log In”, ao lado de “Already registered?”. Depois escolhi a opção “Have you forgotten your password?”, introduzi o email que utilizo para login no Facebook e carreguei em “RESET MY PASSWORD”. De seguida recebi um email com um link que me levou para uma página onde introduzi a nova password. A partir daqui fiz o login através da opção Log In, com o email e password e já consegui aceder à minha área no My.Parrot.

 

 

Recursos:

Manual do FreeFlight Pro

Dicas para otimizar o tempo de vida da bateria

Peças de substituição e acessórios

Boas práticas

Tutoriais em Vídeo

Grupo do Facebook – Parrot Disco Portugal

Grupo do Facebook – PARROT DRONES PORTUGAL

Auriga App (Android) 

 

 

Parrot DISCO FPV

Voa na boa

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