Parrot Disco FPV–Primeiros voos

14 12 2018

Artigos relacionados:

Parrot DISCO FPV–Um drone diferente 

Checklists para operar um drone

 

 

Voar  o Parrot Disco é uma experiencia fantástica. Apesar de exigir mais cuidados e preparação comparativamente a um drone multi-rotor, o facto de poder permanecer por muito mais tempo no ar (até 45 minutos com a bateria original) é uma grande vantagem deste drone e de outros de asa fixa. Apesar de este modelo ter sido descontinuado pela Parrot, o interesse continua a ser muito grande uma vez que atualmente o Disco não tem concorrentes no segmento de mercado onde se insere. Entretanto a Yuneec, um outro fabricante de drones “domésticos”, prepara-se para lançar o Firebird FPV, um drone de asa fixa com características semelhantes às do Parrot Disco.

 

IMG_4957

 

Ao contrário dos drones da DJI, a Parrot não implementou (pelo menos até ao momento) um sistema de geofencing no Disco, embora já o tenha feito para o Anafi, um outro drone da Parrot. Este sistema, que é uma barreira virtual, restringe o voo, de forma automática, em locais onde existe regulamentação e onde não é possível voar com “total liberdade”. Através do sistema GPS o próprio drone sabe se se encontra numa zona restrita, como num aeroporto ou uma prisão por exemplo, e impede o voo, ou restringe o mesmo a determinadas condições.

 

A preparação do drone para cada voo deve ser efetuada sem pressas e sem “facilitismos”. O manual tem todo o processo bem explicado. O único procedimento em que tive dificuldades foi na calibração do drone. Este assistente, iniciado através da App FreeFlight Pro, começa por indicar em que posição o drone deve ser posicionado para iniciar a calibração do eixo do X. Inicialmente não estava a entender, mas depois percebi que a câmara deve ser apontada para o chão para o assistente avançar.

 

IMG_1231

 

A descolagem deste drone exige algum espaço. Apesar de o drone ser lançado para o ar, diretamente da mão, percorre alguns metros a baixa altitude e pode despenhar-se se não for lançado de um ângulo apropriado, com força suficiente e com vento favorável. Muito mais difícil é a aterragem, que exige, para além de muito espaço disponível (a Parrot refere 80 metros de diâmetro), preparação prévia ao nível dos procedimentos a executar pelo operador. Em 3 voos que fiz com o drone até ao momento, em 2 deles a aterragem não correu da melhor forma. No outro, a descolagem não teve êxito na primeira tentativa e o drone acabou por cair alguns metros à frente depois de ter sido lançado para o ar com um ângulo e força não suficientes. O drone tem forma de saber se aterrou de forma “programada” ou não, sendo que neste último caso ele emite um sinal sonoro que pode ser útil para o operador tentar encontrar o drone se este cair numa zona fora do contacto visual do operador. Numa das aterragens uma hélice ficou danificada e que teve que ser trocada. Embora estejam incluídas 2 hélices e os respetivos parafusos, é necessária uma chave Torx T6 para o efeito, que é facilmente adquirida em lojas que vendam ferramentas e electrónica.

 

O autopilot faz um excelente trabalho a todos os níveis, nomeadamente no que diz respeito à altitude, que é mantida sem qualquer intervenção por parte do piloto, quando este larga os comandos. Não é necessário efetuar ajustes manuais. Tudo é tratado pelo piloto automático. Isto permite que durante o voo, após o piloto posicionar o drone na altitude e direção pretendidas, este se possa concentrar mais na captação de imagem e menos no controlo do drone.

 

A utilização do RTH (Return To Home) funciona muito bem. Esta funcionalidade, que pode ser acionada pelo piloto (no comando ou na App), faz com que o drone a qualquer momento no voo volte ao ponto de partida, de forma automática, e fique a voar em movimentos circulares (loiter mode) a uma altitude de 50 metros, até que o piloto tome alguma ação. Existe a possibilidade de alterar este valor, na App, assim como a direção do drone (movimento dos ponteiros do relógio ou movimento inverso), no entanto estas configurações têm que ser efetuadas antes de levantar voo.

 

 

 

Fotos

Apesar de não ter voado ainda com o Disco nas condições meteorológicas ideais para a recolha de imagens de maior qualidade, as fotos seguintes (sem qualquer tipo de edição) são um exemplo do que é possível obter. É preciso ter em conta que o Disco, ao contrário dos drones mais recentes, como o Anafi por exemplo, não possui uma câmara 4K. O Disco é equipado com uma câmara 1080p Full HD.

Ainda enfrento alguma dificuldade em obter fotos minimamente decentes, não só pelas condições de luminosidade derivadas das condições meteorológicas, mas também pelas configurações existentes na App ao nível da exposição e equilíbrio dos brancos. 

Quanto aos formatos das fotográficas existentes na App, tive alguma dificuldade no inicio em compreender as diferenças, no entanto esta página ajudou bastante.

Disco_20181212110338 0000

Vilar de Maçada – Alijó

  

Disco_20181202120837 0000

Vila Chã – Alijó

 

Disco_20181130111108 0000

Sabrosa – Vila Real

 

 

 

Vídeos

Sabrosa vista do céu

 

Vila Chã–Alijó

 

Vilar de Maçada

 

Este último vídeo difere dos restantes porque adicionei dados de telemetria do voo ao mesmo. Estes dados, como a velocidade, altitude, dados de utilização da bateria, entre outros, são registados pelo drone em tempo real. Para obter o resultado final, primeiramente é necessária uma aplicação, com o VLC por exemplo, para converter o formato do vídeo. Depois são necessárias as aplicações FlightData Manager e Garmin VIRB Edit para conseguir obter o resultado final. Esta página explica todo o processo. Como a aplicação FreeFlight Pro não está a enviar dados de voo para a Parrot, provavelmente devido a um problema “do lado” da Parrot, após aterrar o drone fechei a aplicação para que o drone não enviasse os dados para a aplicação e removesse da memória do drone. Assim consegui aceder aos dados de voo do drone (que estão todos contidos num só ficheiro que está guardado na memória da aeronave) através de um acesso ao sistema de ficheiros do mesmo. Liguei o meu portátil à rede WiFi do drone e acedi, por FTP, ao ficheiro em questão. Por essa razão, uma vez que os dados de voo são obtidos via ficheiro e não via conexão com a cloud da Parrot, não pode ser utilizada a última versão do FlightData Manager, que não tem a funcionalidade de importação de ficheiros de voo. Assim foi necessário utilizar a versão 3.2.11.

image

 

 

 

Fly & Film

Na opção Fly & Film da App o operador tem acesso à imagem que o drone está a captar, sendo possível iniciar e parar a gravação de vídeo e dar instruções para o registo de fotografias, funcionalidades que podem ser também utilizadas através os botões A e B do comando. São também mostrados os dados do voo, em tempo real. Está disponível a velocidade, altitude e distancia do drone em relação ao comando. A percentagem restante da bateria do comando e do drone também é mostrada no canto inferior direito. A partir deste ecrã principal tem acesso às configurações da App e ao Flight Plan.

IMG_1181

 

 

 

My.Parrot

Todos os voos são registados na aplicação FreeFlight Pro. São guardados uma série de dados como a data e hora do voo, a duração, localização, percentagem de bateria utilizada, drone e comando utilizados. É ainda possível aceder ao percurso efetuado pelo drone, em sobreposição no mapa, assim como são disponibilizados alguns dados de telemetria como a altitude, bateria e velocidade.

Aparentemente existe um problema que impede que estes dados sejam sincronizados com a Parrot. Fiz alguns voos com a App num iPhone e outros com a App num iPad, e os dados não foram sincronizados, quando penso que isso deveria ter acontecido. Também o registo do numero de imagens e vídeos de cada voo, no ecrã que lista todos os voos (primeira imagem), não parece estar a funcionar.

IMG_4978

IMG_4979

IMG_4980

IMG_4981

 

 

 

Flight Plan

Esta funcionalidade, que é paga (custa atualmente 21,99 EUR), permite programar voos autónomos. Após definir os pontos pelos quais o drone deve voar e a respetiva altitude, o mesmo, sem a intervenção do operador, irá cumprir o plano. Existe ainda a possibilidade de programar eventos durante o percurso, ao nível do registo de vídeo e fotografia, assim como o ângulo de captação da câmara. Um plano de voo pode ser iniciado, cancelado ou pausado a qualquer momento. O Flight Plan permite também programar a aterragem (ver imagem em baixo-cone verde), no entanto, apesar de já ter testado o Flight Plan, ainda não testei esta possibilidade.

Inicialmente enviei uma mensagem para o suporte da Parrot uma vez que o preço desta funcionalidade na App Store da Apple não correspondia ao preço anunciado numa das páginas da Parrot (0,99 EUR). Alguns (muitos) dias depois recebi uma mensagem de resposta com um código promocional para comprar a App. Infelizmente não resisti à tentação e já tinha anteriormente comprado pelo preço normal. Utilizei o Flight Plan e funciona muito bem. Vale bem o investimento, até porque esta funcionalidade pode ser utilizada com outros drones da Parrot.

IMG_498222

 

 

O Parrot Disco é um drone fantástico de voar. É uma máquina com muita tecnologia incorporada que facilita em muito o controlo da aeronave. Dificilmente compraria este drone pelo valor de mercado aquando do seu lançamento, que rondava os 1300 EUR. Como paguei 99 EUR pelo Parrot Disco, voar este drone tem um sabor especial. Não que o drone não valesse o valor pedido inicialmente, por toda a tecnologia incorporada, mas principalmente porque em qualquer aterragem, até na primeira, o drone pode ficar danificado. Para minimizar este risco o ideal é aterrar sempre em relvados, num espaço amplo, sem obstáculos nas redondezas. O problema é precisamente esse. Não é em qualquer local que se encontram as condições ótimas de aterragem, mais ainda quando existe toda a legislação que impede o voo em determinadas zonas. De que serve ter acesso a um campo de golfe (foi aqui que o drone foi apresentado à comunicação social, onde pôde ser experimentado pelos participantes) ou de futebol, com um relvado muito bem tratado, se estes se encontram em zonas onde não é possível voar por imposição da legislação e das regras atuais? Assim pode existir a necessidade de arriscar e aterrar em locais menos apropriados, colocando eventualmente em risco o drone.

 

Como anteriormente indiquei, a aterragem do drone é o momento mais critico de todo o voo. Mesmo que o drone aterre bem, dependendo da superfície onde o fizer, algo pode ser danificado. É recomendado aterrar numa área com relvado, que é uma superfície suave para o equipamento. A câmara é o elemento que mais exposto está e a lente pode ser facilmente riscada ou partida. Felizmente existe muita oferta de peças de substituição, novas e usadas. A respeito da aterragem, existem muitos vídeos no YouTube. Veja-os e interiorize o procedimento para que não entre em pânico durante  a mesma. Tenha um plano B para o caso de a aterragem não estar a decorrer da melhor forma. O botão de descolar/aterrar, no comando, permite que depois de carregar para aterrar, volte a descolar, após voltar a pressionar o mesmo. Durante o processo de aterragem existe também a possibilidade de efetuar pequenos ajustes à trajetória do drone.

 

Resultado de imagem para AR4 EVOLUTION parachute

TEKEVER AR4 Evolution

 

Quem sabe a Parrot não venha a lançar uma nova versão do Disco, com paraquedas para aterragem. Este método de aterragem é utilizado pelo drone AR4 EVOLUTION da TEKEVER, uma empresa de origem portuguesa. Claro que não se pode comparar um drone que tem como objetivo missões de patrulhamento e reconhecimento, que é utilizado em missões de busca, salvamento e fiscalização, com um drone doméstico que se compra “numa qualquer FNAC”. Em alternativa, a possibilidade de aterrar e descolar de forma vertical (VTOL-Vertical Take-Off and Landing), como acontece com o drone DELTAQUAD PRO, seria melhor ainda. A Parrot, que tem marcado o mercado pelos seus drones “diferentes”, até já tem um mini drone com estas capacidades, denominado de Parrot Swing.

 

image

Parrot Swing

 

deltaquad-pro

DeltaQuad Pro

 

 

Até ao momento não senti necessidade de comprar a mochila de transporte do Parrot Disco, até porque não é propriamente barata (custa cerca de 176 EUR na loja da Parrot). Tenho transportado o drone dentro da caixa e levo-a no carro para os locais onde vou voar. Apesar de não ser muito prático, também dá para transportar a caixa na mão, mas com o tempo certamente irá começar a deteriorar-se.

 

 

 

Check List

Checklists para operar um drone

 

 

Locais para voar/aterrar (Vila Real e arredores)

Nestes locais pode voar até aos 120 metros de altura, sendo apenas necessária licença AAN. Consulte o site Voa na boa para mais informações.

  • Aeródromo da Chá, em Alijó.
  • Campo de futebol de Vilar de Maçada.

 

 

Informações úteis

  • A gravação de vídeo em voo, por um longo período de tempo, pode resultar em mais do que um ficheiro MP4. Isto provavelmente dever-se-á a limitações do sistema de ficheiros FAT32, utilizado pelo sistema operativo do drone. Tenho as configurações de gravação de vídeo, na App, definidas para gravar a 1080p e gravação em qualidade máxima a 30 FPS. Num voo de cerca de 34 minutos foram gerados 2 ficheiros, um com 3,73 GB e o outro com 3,31 GB.
Anúncios

Ações

Information

2 responses

19 01 2019
Parrot Disco FPV–Primeiros voos (parte 2) | ..::invisible flame light::..

[…] Parrot Disco FPV–Primeiros voos […]

30 04 2019

Deixe uma Resposta para Parrot Bebop 2-Um drone com uma relação qualidade/preço imbatível | ..::invisible flame light::.. Cancelar resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s




%d bloggers like this: