Parrot Disco FPV–Primeiros voos (parte 2)

19 01 2019

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Após os primeiros voos e algumas semanas a explorar o Parrot Disco, pretendo partilhar neste artigo mais algumas informações sobre este drone de asa fixa. O Disco continua a surpreender a cada voo, não só pela sua performance, mas também pela sua robustez, que é colocada à prova a cada aterragem.

 

 

Numero de Série

O numero de série que deve ser utilizado para o preenchimento de pedidos de autorização de voo deve ser o numero de série que é mostrado pela aplicação. O numero de série que é mostrado na caixa é o numero de série do pack (drone + comando + carregador + restantes acessórios) e por isso não deverá ser utilizado no preenchimento da documentação da ANAC, AAN e afins.

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Robustez

Apesar de parecer frágil, o Parrot Disco é bastante robusto e durável. Após várias aterragens, que por si só são “quedas controladas”, o Disco sobreviveu sempre, sem danos graves. O drone não tem trem de pouso e algumas “aterragens” mais abrutas e não programadas, como em árvores por exemplo, podem acontecer se não forem tidos em conta alguns cuidados.

Quando isso acontece, as asas ficam normalmente desencaixadas da fuselagem e basta apenas voltar a encaixar. Por precaução já foi necessário utilizar fita cola para reforçar a “dobra” entre o flap e asa propriamente dita, quando a asa ficou ligeiramente danificada numa aterragem no meio de vegetação. Nessa mesma aterragem foi “cortada” uma pequena parte da extremidade de um flap, que não foi possível encontrar no meio da vegetação. Noutras aterragens outros pequenos danos foram sofridos pelo Disco, como perfurações nas asas e fuselagem. Nada que mereça reparação já que não põe em causa a aerodinâmica da aeronave.

Os danos no drone podem ser facilmente reparados com fita cola e outros materiais, sem nunca esquecer os limites da física e as forças aerodinâmicas.

 

Flap direito danificado após aterragem em cima de vegetação densa.

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Disco com fita cola em ambas as asas para reforçar o contacto entre os flaps e as asas.

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Em teoria, as alterações efetuadas numa asa, devem ser efetuadas também na outra asa. Foi precisamente isso que fiz em relação à perda de uma pequena parte da extremidade de um dos flaps. Cortei, com uma tesoura, ambas as extremidades dos 2 flaps para ficarem iguais.

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Cockpitglasses

Os óculos que acompanham o Disco são a versão 1 dos Cockpitglasses (óculos brancos). Esta informação é relevante porque não é fácil de a encontrar e é necessário indicar na App qual é o modelo dos óculos que vamos utilizar. Para além dos primeiros Cockpitglasses, existe agora um novo modelo, em que os óculos são de cor preta e mais pequenos.

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Claro que os óculos da Parrot não estão certamente ao nível dos óculos da DJI, denominados de DJI GOGGLES (custam cerca de 400 EUR…), que já têm ecrã integrado e uma série de outras tecnologias. Os Cockpitglasses funcionam apenas em conjunto com um smartphone, que é inserido dentro dos óculos, através de uma gaveta. A experiencia de utilização é bastante agradável uma vez que proporciona um voo imersivo ao piloto. No entanto é necessário algum tempo para configurar este sistema antes da primeira utilização, nomeadamente ao nível do ajuste do sistema ao smartphone e à visão.

Ao voar com os Cockpitglasses o piloto tem acesso a várias vistas, que podem ser alteradas num dos botões do comando. Uma das vistas tem apenas a imagem que o drone está a captar. A outra, para além da imagem, tem um radar, para o piloto saber se tem o comando orientado para o drone, por causa de obter a melhor performance de comunicação com o mesmo. A terceira vista tem os dados de telemetria sobrepostos à imagem captada pela câmara do drone.

Apesar de não ter testado, li algures que se alterar na App a gravação de vídeo para 720p, também a imagem que é mostrada nos óculos fica a 720p. Se privilegiar a qualidade da gravação, alterando a definição para 1080p, então a imagem mostrada pelos óculos fica a perder, passando para 460p.

Neste vídeo poderá ficar a conhecer as diferenças entre ambos os Cockpitglasses.

 

 

 

Tempo de voo

Nunca devo ter feito um voo de mais de 30 minutos, apesar de tal ser possível. Por uma questão de segurança “reservo” uma parte significativa da bateria para o processo de aterragem, já que nem sempre aterro à primeira tentativa, se as condições ideais não estiverem reunidas. Se a aproximação ao local onde pretendo aterrar não estiver a decorrer como o planeado, ou porque estou a voar muito alto, muito baixo, ou muito rápido, volto a levantar, dar a volta e repetir a aproximação. Estas tentativas consomem uma certa percentagem da bateria, principalmente quando é necessário ganhar altitude.

Creio que em determinadas condições climatéricas, voando sempre à mesma altitude e “planando”, ao puxar o joystick esquerdo para baixo, para reduzir a velocidade (o sistema anti-stall impede que o drone perca a sustentação e caia de forma abruta), será possível voar por mais de 45 minutos, que é a autonomia anunciada pela Parrot.

Como exemplo, no resumo do voo da imagem seguinte, voei por 27 minutos e 28 segundos e utilizei apenas 59% da bateria.

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Se o voo for programado, utilizando o Flight Plan, com altitudes constantes, em teoria isso deve resultar num maior tempo de voo.

Claro que com baterias com mais capacidade, de outros fabricantes, uma vez que a Parrot só disponibiliza uma bateria de 2700 mAh, será possível manter o Disco no ar por muito mais tempo. Li o relato de alguém que fez um voo de 3:44 h, utilizando uma bateria de 13800 mAh. Fantástico!

 

 

 

Captação de imagem

Apesar de o Disco contar com uma câmara 1080p Full HD, a qualidade das gravações nem sempre é a esperada, mesmo com as configurações para gravar com a qualidade máxima (a App permite alterar vários parâmetros de gravação de vídeo). Claro que existem vários fatores que influenciam o resultado final, como a hora do dia, a claridade, a posição do sol, entre outros. Existe no entanto um fator que eu desconhecia, mas que pode influenciar o resultado da gravação das imagens captadas pela lente do Disco, que é a temperatura ambiente. Pelo que li, a Parrot aconselha a utilização dos seus drones entre os 10 e os 40ºC. A utilização dos equipamentos em temperaturas inferiores poderá traduzir-se numa degradação da qualidade da imagem, nomeadamente na perda de foco. É necessário não esquecer que, em teoria, quanto maior a altitude, menor é a temperatura (mais informações aqui).

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O Inverno é de resto a pior altura do ano para voar os drones da Parrot. Para além de uma possível degradação da qualidade de captação de imagem e de um tempo de voo mais reduzido, já que as baterias são negativamente influenciadas pelas temperaturas baixas, por norma existe também mais vento, que poderá dificultar o voo e até aumentar o consumo de bateria.

 

 

 

Aterragem

O processo de aterragem do Disco é sem sombra de duvidas a fase mais critica de todo o voo. A experiencia para aterrar o drone em segurança adquire-se principalmente por tentativa e erro, muito embora existam muitos vídeos e relatos de pilotos que explicam quais as melhores técnicas. Após várias aterragens, umas melhores do que outras, penso que encontrei a forma mais eficaz para o fazer. Primeiramente é necessário muito espaço, sem obstáculos que ponham em causa o processo, como cabos, árvores, etc.. Como costumo voar maioritariamente no aeródromo da Chã, também conhecido por Aeródromo de Alijó (infraestrutura desativada), em Alijó, não tenho nenhum destes problemas, no entanto não existe propriamente um relvado para aterrar, que seria o mais indicado para evitar danos no equipamento. Existe sim uma pista de terra, com alguma vegetação pouco densa em algumas áreas, que em parte substitui um relvado para o efeito.

Na imagem seguinte é possível ver uma parte da pista deste aeródromo, que no total tem 1200 metros de extensão. Claro que para aterrar o Disco é necessária apenas uma pequeníssima parte da pista. Esta infraestrutura está atualmente fechada ao tráfego aéreo.

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Este aeródromo, que está contido na área assinalada a vermelho, na imagem em baixo, fica numa numa área de voo livre, em que a única licença necessária (para além de exceções como voar com drones com peso superior a 25 kg, voar acima de 120 metros, voos noturnos, etc.) para voar com um drone, que não seja considerado uma aeronave brinquedo, é a licença da AAN, no caso de o drone possuir uma câmara. Para mais informações consulte o site www.voanaboa.pt.

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Este espaço aéreo é bastante concorrido, principalmente em voos entre o aeroporto Francisco Sá Carneiro (OPO), no Porto, e outros aeroportos na Europa. Apesar disso, se todas as regras forem cumpridas, não deverá existir qualquer problema. Os voos comerciais voam nesta zona normalmente a vários quilómetros de altitude.

Na imagem em baixo (prinscreen da App Flightradar24), podemos visualizar um voo da Ryanair, com a aeronave Boeing 737, entre o Porto e Memmingen. A aeronave encontrava-se a sobrevoar o espaço aéreo por cima do aeródromo, a cerca de 7 km de altitude (cerca de 24000 pés).

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O melhor método de aterragem, na minha opinião, é aterrar com a ajuda do sistema de geofence, disponível na App, em SAFETY. Este sistema, quando ativado, limita o raio de operação do drone, não só em distancia, mas também em altitude, mínima e máxima. Portanto, o piloto pode utilizar esta funcionalidade o tempo todo, desde o levantar até ao aterrar, ou ativar apenas durante parte do voo, como na aterragem por exemplo.

Na imagem seguinte o sistema está ativado para limitar o voo a 100 metros de altitude máxima, 5 de altitude mínima e 2 km de distancia. O sistema geofence é ótimo para pilotos iniciados, mas também quando é necessário garantir que o drone não ultrapassa uma determinada altitude máxima imposta pelas regras de voo. Infelizmente não é possível definir uma altitude máxima intermédia entre os 100 e os 150 metros. Seria muito interessante, por razões óbvias, poder definir o valor de 120 metros.

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Se utilizar o Flight Plan, este também fica restrito aos limites do geofence, conforme é possível verificar na imagem em baixo, em que existe uma área a vermelho fora do raio de acção dos 2 km.

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Portanto, em muitos voos, apenas utilizo o geofence quando pretendo aterrar. Altero as definições quando tenho o drone a voar perto de mim, e faço a aproximação à pista, de forma lenta, com o joystick esquerdo para baixo para perder velocidade, e com o joystick direito ligeiramente para cima para ir descendo o drone até o geofence atuar e impedir que desça abaixo dos 5 metros. Depois, basta carregar no botão para aterrar, ou repetir a aproximação, voltando a levantar o drone, no caso de algo não estar de acordo com o pretendido e previsto, como a zona provável de aterragem, velocidade do drone, vento, etc.

O vento é uma das variáveis mais importantes para uma boa aterragem. Perceber a sua orientação e a sua velocidade é muito importante, já que pode dificultar ou limitar as possibilidade de aterragem em diversas direções. Embora o piloto deva consultar a previsão da velocidade do vento, para o dia e hora prevista do voo, no local deve voltar a avaliar este fator. Basta arrancar um pouco de vegetação leve, como erva, lançar ao ar e reparar na direção e velocidade do vento. Claro que por observação não irá conhecer os valores reais. Para isso teria que utilizar um anemómetro, que é um aparelho que serve para medir vários parâmetros meteorológicos. Ainda assim coloca-se outro problema, que é o facto de poderem existir diferentes velocidades e direções do vento, conforme a altitude a que o drone voa.

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A Parrot indica no manual do drone que se o vento for superior a 43 km/h o drone não deve ser pilotado. Já tive oportunidade de voar com o Disco com algum vento, inferior ao limite indicado pela Parrot, e embora o piloto automático C.H.U.C.K. faça um excelente trabalho de compensação, para manter o drone estável e na sua trajetória, a experiencia de pilotagem não é das melhores, principalmente pela dificuldade acrescida na aterragem.

O piloto deve aterrar sempre contra o vento, caso contrário, se o vento for favorável, pode arrastar o drone para fora da zona provável de pouso.

 

 

 

Sincronização de dados entre dispositivos

Já utilizei o meu iPad e o iPhone com o comando Skycontroller 2 para pilotar o Disco. Também já utilizei um smartphone Android de um amigo para testar os Cockpitglasses, uma vez que o meu iPhone SE é demasiado pequeno para o efeito. Inicialmente reparei que embora tivesse efetuado login nas App, nos 3 dispositivos, os dados de voo não eram sincronizados entre os mesmos. Recentemente descobri que basta ativar uma opção para que a sincronização passe a ser efetuada.

Esta opção encontra-se em Data confidentiality, no menu lateral esquerdo da App.

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Para validar que a sincronização de dados entre dispositivos está operacional, basta aceder ao perfil do piloto e consultar os totalizadores, que devem ser iguais em todos os dispositivos. No total o meu drone já voou 8:07 horas, em 249 voos. Na realidade o numero de voos reais, em que drone realmente levantou voo é bem menor. A diferença está no facto de muitas das vezes em que carreguei no botão de levantar, fi-lo para efetuar testes ao motor, servos e outros testes, sem lançar o drone para o ar.

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Ao ativar a opção em questão passa também a ser possível enviar dados de voo por email, num ficheiro JSON, através da opção “Send Piloting”, no canto superior direito do resumo de cada voo. Estes dados, contidos em ficheiros json, podem posteriormente ser importados por aplicações como FlightData Manager e Airdata, para análise de dados de voo.

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Aceder ao sistema de ficheiros do sistema Operativo do Disco

O Parrot Disco guarda diversos dados, para além do registo de fotografia e vídeo. Este drone incorpora um verdadeiro computador que executa Linux como sistema operativo. O sistema de ficheiros do sistema operativo é acessível ao utilizador. Basta ligar um computador portátil, ou outro dispositivo, à rede WiFi disponibilizada pelo Parrot Disco, através de uma conexão FTP ao IP (fixo) 192.168.42.1. Aqui poderá aceder a diversos dados, nomeadamente a um ficheiro que guarda o plano de voo programado pelo Flight Plan (disponível na App FreeFlight Pro).

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Dificuldades para visualizar o ecrã do smartphone

Uma das dificuldades durante o voo poderá estar na visualização do ecrã do smartphone ou tablet em condições de muita luminosidade, com céu limpo e muito sol. Mesmo com o brilho no máximo, em determinados modelos, como no iPhone SE e iPad Mini 2, poderá ser difícil visualizar o ecrã em dias de muito sol. Não é de todo confortável olhar para o ecrã e ver reflexos.

A solução para este problema pode ser construída de forma muito artesanal, como fiz na imagem em baixo, em que com um pouco de cartão dobrado, protejo o ecrã da exposição solar e ao mesmo tempo consigo fixar um plano de voo em papel, com algumas instruções úteis durante o voo. Claro que esta solução teria que ser melhorada porque só protege o ecrã do smartphone apenas na parte frontal. Ainda assim já é uma ajuda.

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Existem depois soluções mais profissionais. Na loja AliExpress encontra estes acessórios mais sofisticados, que já protegem em várias frentes.

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Armazenamento das baterias

As baterias do drone e do comando acabam por ser um consumível, já que têm um tempo de vida estimado à partida. A Parrot indica que as baterias LiPo têm um tempo de vida de 300 ciclos de carga, mas claro, tudo vai depender de como são tratadas e mantidas. Não quer dizer que as baterias não possam durar mais tempo, mas o seu rendimento provavelmente irá decrescer após um determinado numero de ciclos.

Um dos fatores mais importantes para manter uma bateria saudável é guardar corretamente as baterias quando estas não estiverem a ser utilizados por períodos mais longos. Uma bateria nunca deve ser guardada totalmente carregada. Idealmente, segundo a Parrot, a percentagem de carga deverá situar-se entre os 20 e os 50%.

O que eu tenho por hábito fazer depois de cada voo, em que a bateria do drone e do comando são carregadas até 100% algumas horas antes, é voltar a carregar totalmente e depois deixar o drone e o comando ligados até ambos atingirem uma percentagem de carga entre os 20 e os 50%. Depois, coloco numa etiqueta que criei (onde consigo facilmente apagar e voltar a escrever), a data e a percentagem da bateria. Faço isto porque depois de cada voo nunca sei quando será o próximo. Podem passar apenas alguns dias, como também podem passar semanas ou meses.

Como não encontrei nenhuma informação da Parrot relativamente à melhor forma de manter saudável a bateria do comando, acabo por fazer o mesmo procedimento que faço com a bateria do drone.

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Na página seguinte poderá consultar mais informações úteis sobre a bateria do Disco:

https://www.parrot.com/global/support/products/parrot-disco/battery

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30 04 2019

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